Na Reconquista Cristã encontramos uma tentativa conseguida de recuperação de terras aos muçulmanos, que passariam a pertencer aos Mosteiros.
O Mosteiro do Grijó possuía, a partir do séc. XI, uma faixa de terra de quatro a sete quilómetros, ligados pelo nó central, que era a estrada que atravessa a terra de Santa Maria, bem como pelo eixo Espinho – Vila Nova de Gaia. Beneficiava também do facto de estar próximo de uma grande via de comunicação de origem Romana, como se referiu atrás.
Com efeito, Nuno Soares, filho mais velho do patrono do Mosteiro de Grijó, Fromarigues, fez interessar Dona Teresa (mãe de D. Afonso Henriques) pelos bens e obras do Mosteiro concedendo-lhe esta, imunidade sobre um grande território. O Mosteiro e todos os seus monges permaneceram durante muito tempo, sobre a alçada da família do patrono.
Também no séc. XII o Mosteiro de Pedroso possuía terras em Valadares.
Assim, continuando a analisar o Cartulário Baio Ferrado, podemos verificar que as propriedades nele referidas são pequenas explorações, casais, quintinhas ou vilares destinadas a assegurar a subsistência de uma família. Na época, predominava uma economia de subsistência, de quase troca directa e pequena circulação monetária, fruto das sucessivas invasões que criavam uma instabilidade na vida colectiva.
Podemos, então, ver que Valadares aparece referenciado no séc. XII no Cartulário Baio Ferrado do Mosteiro de Grijó (sécs. XI a XIII) da seguinte maneira:
Ano 1111 Elivira Tuulfiz e marido Gonçalo Auríoiz vendem a Hermezenda Cides e filhos as propriedades pe têm em Valadares e Tarouquela.
No mesmo ano aparece a designação Villa Valadare (DMP nº 461).
Ano 1129 Martinho Pais vende aos frades de S. Salvador de Grijó por um morabitino, os bens que possuia em Gulpilhares, Vilar do Paraíso e Valadares.
Ano 1138 Gudina e Unisco Gunsalvi doaram ao Mosteiro de S. Salvador de Grijó uma propriedade em Valadares.
No mesmo ano Mendo Afonso doou ao mesmo Mosteiro o terço de toda a herdade que tinha entre Arcozelo e Valadares.
Em 1185, a Ecclesia S. Salvatoris de Valadares pagava de cera unam libram, de mortuarijs quatuor libras, de trítico(trigo) tres quartarios, de auena(aveia),de millio duos quartarios.
Em 1239, uma carta de venda regista a transacção da Herdade de Valadares por setenta maravedis, entre Donnam Susane e seu marido Petro Pelagii que vivem em terra de Santa Maria em Valadares, e Dono Fernando e sua irmã Donne Marie Menendis de Medretate.
Da mesma altura é o documento que regista a repartição da quintam de Valadares entre João Femandes, cavaleiro e sua mulher Tharaissa Fernandes de uma parte, e João Nogueira, cavaleiro e sua mulher Giralda Simoes de outra parte, sobre contenda que havia, tendo sido atribuído a João Nogueira e sua mulher a meia, e a João Fernandes e sua mulher a outra metade, embora toda a quintam devesse asservir por aquella porta porque se ora serve, e João Nogueira num deve fazer o portal de sua quintam mais baixo nem mais estreito que toda a entrada nom e sido...
Na inquirição sobre os termos de Freimuça (Madalena) e sua partilha com as terras de Valadares aparecem como testemunhas: Joam Martijz, Joam Andre e Martim Iohanes de Vila Chaa. Neste documento aparecem ainda referidos Joam Domimguiz, Joam Nogeyra e Martim Martijz, este último prelado da eygreia de Sam Saluador de Valadares.
Na enciclopédia Portuguesa e Brasileira diz-se acerca de Valadares :
“As Inquirições de 1290, na freguesia de Sam Salvador de Valladares, dizem que a «quintã» (honra paçã) chamam Valadares que e de João Nogueira, e provado que a viram honrada e trazem por honra toda essa aldeia de Valadares e Valadarinhos, que são herdamentos desse João Nogueira e da Se do Porto e do Mosteiro de Grijo, que não entra ai mordomo, nem peitam voz nem coima; porem dessa vila de Valadares dâo a el-rei dezoito guairas de pão e dão-lhe dai a fossadeira”.
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