No tombo dos bens, rendas e igrejas do Mosteiro de Grijó, mandado fazer por D. Pedro em 1365, Tombo muito antiguo de todas as rendas e foros assi de vinho diguo de dinheiro como de pão triguo , milho e centeo vinho geiras e outras cousas que este Moesteiro de Grijo tinha antigamente e estão nelle escriptas per rol todas as propriedades e terras que Ihe pertencião e pertencem e todas as igreijas de sua apresentação e colheitas que dellas Ihe paguavão e paguão o qual foy feito por Giraldes corregedor na comarqua da Beira por mandado del Rey Dom Pedro no anno de mil e quatrocentos e três estão nelle tresladadas duas cartas do mesmo Rey pellas quais maodou tomar cota per rol de todas as rendas deste moesteiro e de todas as despesas e obriguações de commedorias que se davão aos filhos d’algos naturais o qual mandou faser a petição do prior e apresentação e colheitas que dellas lhe paguavão e paguão o qual foy feito por Giraldes corregedor na comarqua da Beira por mandado del Rey Dom Pedro no anno de mil e quatrocentos e três estão nelle tresladadas duas cartas do mesmo Rey pellas quais maodou tomar cota per rol de todas as rendas deste moesteiro e de todas as despesas e obriguações de commedorias que se davão aos filhos d’algos naturais o qual mandou faser a petição do prior e convento delle sendo prior D. Afonso Estevens en ho sobredito anno de quatrocentos e três e foi tudo feito per tabalião publico en elle declarado.
Item Valladares.
Ha hy o moesteiro leiras e quebradas de que ha pam sabudo quando as lavram e nom era todo en cerco mais o que hy o moesteiro pode aver sabudo seeran hua quaira de trigo e outra de milho” "” As leiras e quebrados eram fruto de doações feitas ao Mosteiro de S. Salvador de Grijó, cujo patrono fundador, como já foi dito, foi Soeiro Fromarigues. Essas doações aumentaram principalmente entre 1132 e 1165, pois tinham como objectivo promessas de ajuda, protecção e mesmo subsistência por parte de quem recebia a doação. Os doadores garantiam assim subsistência económica, visto as suas terras nesta altura não serem trabalhadas, porque a mão-de-obra era cara e os recursos eram poucos. Como explica o livro Cartolário Baio Ferrado, a mão-de-obra faz-se rara por causa das migrações para sul, consequência da reconquista cristã e das pestes. Ainda do século XIV, encontramos alguns documentos interessantes que nos referem uma sentença dada por El Rei D. João I contra João Rodrigues de Sá, cavaleiro, por este mandar pousar os seus escudeiros e homens de pé nas casas dos lavradores que eram do Cabido, e que estes 1hes tiravam pão, vinho, carnes, roupa de cama e de vestir, e 1hes comiam as latadas e suas uvas e 1hes faziam talhar lenha e madeira, usando de força sem direito.
Este mesmo assunto aparece dois anos mais tarde num documento de 1396 Sentença que ouve o Cabido contra José Rodrigues de Sá sobre os curas em Valadares.
Em 1424, num prazo feito a Eytor de Teivez, escudeiro, morador no Casal do Penedo, este é descrito como tendo...vinhas e casas e erdades (...) uma tapada onde estão as vinhas hum bacello que dá hu tonel de vinho. Note-se que a renda a pagar pelo S. Miguel de Setembro é de sete libras da moeda antiga, sendo a multa por não cumprimento do acordado de cem moravidis da moeda antiga.
Em documento de 1427, Doação de Maria Annes (filha de João Domingues e mulher de João da Guarda) do casal do Penedo e Outeiro pelos quaes o Cabido havia de haver seis moravedis por hu anniversário que se fazia pela alma de Dom Pero Annes Bocado seu avô e dooûos ambos ao Cabido para lhe fazerem cada anno aniversário no dia que falleceu. Esta doação seria para pagar as missas por alma de seu avô, de acordo com o seu testamento.
Em 1518, no Foral de D. Manuel I, de 20 de Janeiro, aparecem referidos os lugares de “Villa Chãa de casal del Rey, Villa Chãa e Valadarynhos”.
...”E allém dos outros direitos atraz asentados, tem tambem a corôa Real outros direitos na terra chãa de gaya segundo se seguem:
Joham Pirez, de montado dezasete Reaáes. Joham luiz, dezasete Reaáes. Estes e todollos outros daldea pagavam cadanno Cento e dous Reaáes. Joham gomçalvez, de villa chaã de Casal delRey, de trigo quatorze alqueires e duas galinhas. Em villa chaã amdre anes, de trigo oyto alqueires pella hordem de Ryo meaão Sam Joham. Gomçalo afonso, de Valladarynhos, de foro da quyntaã de Valladares, Cinquoenta Reaaes”.
Em 1537 possuia em Valadares “a Excelentisima Mitra um cazal chamado a Quebrada de Vilacham de Rei anexo ao mesmo Mosteiro compreendido na referida doação”.
A Igreja de Valadares é Curato de apresentação das freiras .dominicanas do mosteiro de Corpus Christi de V. N. Gaia desde 1543 como podemos deduzir da leitura do documento 4993 da secção Monástica referente ao Convento de Corpus Christi, folha 509, existente no Arquivo Distrital do Porto, onde se pode ler... Saibbam os que este pubrico instrumento de tombo virem que no ano de quinhentos nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo de mil e quarenta e tres anoaos doze dias do mes de Janeiro no Mosteiro de Corpus Christi da Villa Nova de Gaya da ordem de San Domingos... e estando hay a muito magnifica Senhora Francisca de Abreu prioressa do dito Mosteiro he outras religiosas bentas... E a dita Senhora prioreza pediu e requereu a mim notário apostolico... que 1he fosse fazer tombo dos bens e propriedades da Igreja de Sam Salvador de Valladares anexa do dito Mosteiro que esta na terra de Gaya termo da dita cidade conforme as constituições deste bispado do Porto.... onde estava o Reverendo Padre Francisco de Moura abbade de Espargo e cappelão confirmado da dita Igreja de Valladares...
Mais tarde essa situação é confirmada pela Carta Régia de D. João III, em 21 de Janeiro de 1550, a fim de as religiosas serem conservadas na posse da Igreja de Valadares e receber os seus frutos que a seguir se transcreve: D. João por gra¿a de Deos Rey de Portugal e dos Algarves, de quem e dalem Mar e África, Senhor da Guiné da Conquista, Navegação, Comércio da hethiopia, Arábia, Pérsia e da India (...) faço-vos saber que Francisca de Abreu Prioressa e freiras do Mosteiro e Convento de S. Domingos de billa Nova do Porto me enviaram dizer por sua petição que elas estavão em posse da Igreja de S. Salvador de Valladares terra de Gaya e Bispado do Porto, que a dita Igreja lhe fora anexada e renunciada por Pedro Vaz Barbosa abade que fora da dita Igreja em nome do Núncio (...) a tinha já confirmado em o dito Mosteiro por espaço de cem anos (...)
Esta petição deveu-se a (...) Ihes dizerem que alguas pessoas poderosas (Religiosas do Convento de Santa Cruz de Viana de Lima) pretendiaõ perturbar a sua posse, por serem molheres muito pobres me pediram Jhes mandasse passar carta em forma para o corregedor e justiça da dita cidade as manterem nesta posse pacífica assim como até agora estavão.
Na verdade, o mosteiro continuou a receber os rendimentos da Igreja de Valadares, que em meados do séc. XVIII era de “quinhentos e setenta mil reis” por ano, recebendo o cura “nove mil reis” de congrua e “o pé de altar que ao todo não passa de oitenta mil reis em cada hum anno”.
No séc XII, Valadares pertencia ao arcediago de Santa Maria, em 1320 e 1371 fazia parte da Terra de Santa Maria e em 1542 e nos finais do séc. XVI integrava Gaia, Santa Maria.
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