Era o senado da Câmara do Porto quem superentendia administrativamente no Julgado de Gaia, ao qual pertencia Valadares. Escolhia o Ouvidor e o Meirinho, cuja nomeação era anual. Oriundos de Valadares, foram nomeados Ouvidores do Julgado de Gaia, no ano de 1613, Manuel António, 1623, Sebastião João e 1650 Domingos Gonçalves; e Meirinhos do Julgado de Gaia, na 1.' metade do séc. XVIII, foram escolhidas, por catorze vezes, homens de Valadares.
Nos livros do Cabido, surge vasta documentação referente aos séculos XVII e XVIII. Assim, aparecem documentos de apegação datados de 1639 e 1670, onde se referem as casas, casais e herdades de Valadares pertencentes ao Bispo:
Casal do Penedo – parte do Cabido e do Morgado todas mais partes; Este casal, pertencente a Amaro João, pagava no ano de 1678, de vodos de Santiago: de Trigo hum razo; de Milho hum razo; de Cevada hum razo
Casal de Villa cham de Rey – pagarem ja de renda antiga quinse alqueires de trigo, e tres galinhas, de novo Jhe não accrescentavão mais por as terras estarem areadas, e juntamente andarem carregadas de muita renda...
Este Casal que foi de António Andre e hoje (1678) possue Manuel Andre e outros, pagava de vodos de Santiago: de Trigo hum razo; de milho hum razo: de Cevada hum razo.
Casal de Valladares de Cima – pagarem ja de renda antiga trinta e seis alqueires de trigo, e quatro gas (galinhas) de novo Jhe acrescentavão hua g‘. E junto com a renda antiga hão de pagar daqui em diante trinta e seis alqueires de trigo e cinquo g's.
Casal de Bayxo – que foy de Manoel Frz. (Fernandez) e hoje (1678) possue Manuel Frz. e outros.
Paga de Trigo douz razos; de Milho douz razos e de cevada douz razos.
Casal de Gancho - que foy de Domingos Frz. e hoje possue Dominguos Frz. e outros.
Paga de Trigo hum razo; de Milho hum razo e de Cevada hum razo.
Casal do Castinheyro – que foy de João Coelho e hoje (1678) possue Domingos Frz. e outros
Paga de Trigo dous razos; de Milho dous razos e de Cevada dous razos.
Nestes documentos aparece-nos uma minuciosa descriçâo das terras e leiras destes casais, as suas medições em varas, as suas confrontações e ainda a indicação dos alqueires de semeadura, bem como de árvores e gados. Através destas descrições, verificamos a predominância da cultura do trigo, a existência de castanheiros e carvalhos, para além das culturas do vinho e árvores de fruto.
A título de exemplo transcreve-se parte da minuciosa descrição do casal de Villa cham de Rey em 1783 "º'. Tem um alento de cazas sobradadas e telhadas para a parte do Nascente, com sua baranda e escadas de pedra viradas ao Poente e no topo della hua camareta salla com duas janellas hua virada ao Nascente e outra ao Sul, suas loges, cozinha terria para aparte do Norte, outra corrente de cazas para o Poente com varias portas e janellas, que servem de pardeejros, e cortes de gado, no mejo seu quintejro coberto de ramada com estejos de pedra, hua porta fronta com seu alpendre virado ao Sul, e para o Norte hua cancella, junto a este apouzento hua cortinha de terra lavradia fechada de vallo, com arvores de fruto e de vinho, e lanrangejras, tem posso de agoa com bordo de pedra, hua ejra de terra com bordo de pedra, e hua caza de ejra com porta virada ao Sul, e a loge della com porta virada ao Nascente.
Ainda neste documento referente ao casal de Villa cham de Rey se fixa a mesma renda de quinze aqueires de trigo e tres galinhas,com outro tanto de lutuosa por morte de cada hua das vidas, e laudemio de quatro hum, com cuja terminação.
A lutuosa era um direito antigo pago ao Rei, aos donatários ou aos prelados por morte, respectivamente, dos vassalos, dos rendeiros, ou dos abades. Nos aforamentos em mais de uma vida o directo senhorio recebia de lutuosa pelo falecimento de cada vida uma importância igual ao foro anual e paga na mesma espécie. As lutuosas foram mais tarde abolidas pelo código civil.
O laudémio designava a pensão que se pagava ao senhorio directo de qualquer prédio aforado, quando o foreiro alienava toda ou parte do prazo, por título oneroso.
Por volta de 1770, também o mosteiro da Serra do Pilar possuía bens em Valadares.
Em meados do séc. XVIII, a freguesia era constituída pelos lugares de “Eyros, Valadares, Paço, Chamorra, Valadarinhos, Penouços e Villa Chãa”
Em 1836 e 1907 pertencia à Feira 1. Em 1908 aparecem os lugares Agro, Aldeia, Barroco, Bela, Bela d’Eirós, Campolinho, Crasto, Castanheiras, Estação, Estrada, Marinha, Medeiros, Paço, Penedo, Rio e Tartumil.
Em 1916 e 1970, faz parte da Vigararia Gaia 1. Em “Valadares de Gaia”, Suma Monográfica de 1955, a freguesia é apresentada com outra composição não sendo referidos os lugares de Agro, Bela d’Eirós e Barroco e sendo acrescentados os lugares de Gramoinhos e Sameiros.
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